A GREVE DOS CAMINHONEIROS NO BRASIL

 

A greve dos caminhoneiros no Brasil durou dez dias e, apesar de ainda causar reflexos sobre o abastecimento de combustíveis e alimentos no Brasil, a mobilização perdeu força e a situação volta a se normalizar. Postos que estavam secos nas duas últimas semanas voltaram a receber gasolina, diesel e etanol. Já a partir desta sexta-feira, 1º de junho, começa a valer o desconto de R$ 0,46 sobre o preço do óleo diesel em comparação com o dia 21 de maio, que é quando iniciaram as negociações entre o Planalto e os sindicalistas.

A insatisfação com o alto preço dos combustíveis, até há alguns dias restrita a comentários dos consumidores nas redes sociais, ganhou contornos de caos após quatro dias de paralisação dos caminhoneiros no Brasil.

Rapidamente, as críticas se voltaram aos presidentes da República, Michel Temer, e da Petrobras, Pedro Parente. Mas o que realmente explica o progressivo aumento no custo de produtos como a gasolina e o diesel nos últimos meses?

Em 3 de julho do ano passado, a Petrobras iniciou uma mudança na política de preços dos derivados de petróleo, que incluem a gasolina, o diesel, o gás de cozinha (GLP) e até o asfalto. Até então, as variações internacionais do barril de petróleo não se refletiam nos preços dos combustíveis no Brasil, e quem arcava com o prejuízo era a Petrobras.

A partir de então, os valores passaram a sofrer reajustes diários, que refletem a variação internacional do preço do barril de petróleo. O argumento da gestão de Parente era evitar interferência política e prejuízos financeiros à empresa, o que transmitiria credibilidade aos investidores.

A mudança teve impacto em todo o setor, porque a Petrobras detém, na prática, o monopólio do refino no país. Trata-se da atividade de transformação do óleo bruto nos derivados.

Nesse período, o preço do óleo diesel subiu 56,5% na refinaria, tendo passado de 1,50 reais para 2,34, sem contar os impostos. Os dados são do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

 

Três explicações

Assim, a primeira explicação para a alta do combustível é a elevação em mais de 50% no valor internacional do barril de petróleo, que bateu na marca dos 80 dólares esta semana.

Há, por sua vez, diversas motivações para esse aumento, como um acordo firmado no fim de 2016 entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), liderada pela Arábia Saudita, e a Rússia. Na ocasião, foi acertado um limite no ritmo de produção em 1,8 milhão de barris por dia.

A crise política na Venezuela e, mais recentemente, o rompimento do acordo nuclear com o Irã pelos EUA também influenciaram a escalada do preço.

Em paralelo, há uma apreciação do dólar ante o real. A cotação atingiu o maior valor em dois anos na sexta-feira passada (18/05) – 3,74 reais – e registrou a quarta semana consecutiva de alta. Como o barril do petróleo é cotado na moeda dos EUA, esse é mais um fator de pressão sobre o preço dos combustíveis.

Por fim, no cenário interno, houve aumento de impostos federais que incidem sobre os combustíveis em 2016, e estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro elevaram a cobrança do ICMS.

 

Maio 2018

 

O mês marca a chegada de protestos dos caminhoneiros, insatisfeitos com os constantes reajustes e o aumento do preço dos combustíveis, que, segundo representantes da categoria, tornou inviável o transporte de mercadorias no país.

No dia 16 de maio, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) apresentou um ofício ao governo federal pedindo o congelamento do preço do óleo diesel e a abertura de negociações, mas foi ignorada. No dia 18 (última sexta-feira), a organização lançou um comunicado em que mencionava a possibilidade de paralisação a partir de segunda-feira, o que de fato ocorreu.

Na terça, pouco depois de a Petrobras anunciar redução nos preços do diesel nas refinarias, motivada por uma leve queda do dólar, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, declarou que não havia espaço para cortar impostos, diante da dificuldade de equilibrar as contas públicas.

Na quarta-feira, pressionado pelos efeitos da greve, Pedro Parente, anunciou que a estatal fará uma redução de 10% no preço do óleo diesel – e que manterá este preço durante as próximas duas semanas. A paralisação, no entanto, continuou.

 

A CRONOLOGIA DA GREVE

 

Sexta-feira, 18 de maio

Caminhoneiros anunciam a greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira (21) caso o governo não reduza a zero a carga tributária sobre o diesel (PIS/COFINS). Eles afirmam que as tentativas de negociação iniciaram em outubro de 2017, e até 14 de maio de 2018 não houve resposta do governo, por esse motivo iniciaram mobilizações. O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, diz que o governo estava sensibilizado com a alta dos preços e discutia como reduzir impostos.

 

Sábado, 19 de maio

Entra em vigor o quinto reajuste diário consecutivo: a Petrobras eleva os preços do diesel em 0,80% e os da gasolina em 1,34% nas refinarias. A escalada nos preços acontece em meio à disparada nos preços internacionais do petróleo e em consequência da nova política de preços instaurada em julho de 2017. Entre julho de 2017 e maio de 2018, o aumento para o consumidor foi de 21%, sendo 8,2% somente entre janeiro e maio.

 

Domingo, 20 de maio

A Justiça Federal proíbe o bloqueio total de estradas federais por caminhoneiros no Paraná. A ação foi movida pela Advocacia Geral da União (AGU) a pedido da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O fechamento total poderia ser punido com multa de R$ 100 mil por hora.

De acordo com Carlos Marun, ministro-chefe da Secretaria de Governo, a primeira reunião da cúpula do governo sobre o preço do diesel ocorreu neste dia.

 

Segunda-feira, 21 de maio

NAS RUAS: Em 21 estados foram registrados os primeiros bloqueios totais ou parciais de rodovias. Desde este primeiro dia de atos, a Rodovia Régis Bittencourt passa a ser um dos símbolos e chegou a ser bloqueada nos dois sentidos. Em alguns pontos, os caminhoneiros ficaram nos acostamentos. Em outros, eles queimaram pneus para evitar a passagem de veículos por um período e, depois, as vias foram liberadas.

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA: O Ministério de Minas e Energia afirma que Temer se reuniria com ministros no Planalto no fim da tarde. Momentos antes do encontro, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, diz que o governo federal buscaria “um pouco mais de controle” para dar “previsibilidade” à alta dos combustíveis.

 

Terça-feira, 22 de maio

NAS RUAS: Os protestos passam a atingir 24 estados. A maioria dos atos impede a passagem dos caminhões, mas permite a passagem de carros e outros veículos. Primeiros efeitos além das vias fechadas passam a ser sentidos: fabricantes como a Chevrolet, Fiat e Ford anunciaram problemas para lidar com a produção devido às manifestações. Aeroportos começam a contingenciar combustíveis.

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA: Depois da sequência de altas, a Petrobras reduz o preço dos combustíveis para as refinarias. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anuncia que o governo fez um acordo para zerar um dos impostos sobre o diesel e que acabará, em 2020, com a desoneração da folha em todos os setores.

Em video-selfie, os presidentes da Câmara e do Senado anunciam acordo com governo para ‘zerar’ os tributos de combustíveis. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que foi montado um gabinete de crise.

 

Quarta-feira, 23 de maio

NAS RUAS: Os bloqueios em 23 estados e no Distrito Federal passam a causar problemas em diversos setores do país. Nos transportes, aeroportos alertam para a escassez de combustível. No Recife, o litro da gasolina chegou a ser vendido a R$ 8,99.

Os protestos provocaram desabastecimento, paralisação de exportações e efeitos em várias áreas: linhas de ônibus foram reduzidas pelo país, Correios suspendem postagens, a produção em ao menos 129 frigoríficos e abatedouros foi paralisada, e houve falta de hortifrutigranjeiros.

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA: Temer afirma que pediu “trégua” de dois ou três dias aos caminhoneiros para encontrar uma “solução satisfatória”.

A Petrobras anuncia redução de 10% no diesel; medida deve valer por 15 dias. Redução representa queda de 23 centavos na refinaria e de 25 centavos para o consumidor.

 

Quinta-feira, 24 de maio

NAS RUAS: Pelo 4º dia consecutivo, caminhoneiros fizeram manifestações em 25 estados e no Distrito Federal. OS efeitos se alastram com redução na frota de ônibus, falta de combustíveis e produtos em supermercados. Além disso, são anunciados os primeiros efeitos na saúde.

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA: Temer se reuniu com ministros, com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e com o presidente da Petrobras, Pedro Parente. Mais tarde, houve um encontro entre ministros e representantes dos caminhoneiros.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, anunciou que conseguiram chegar a um acordo e que suspenderiam a greve nacional por 15 dias. Duas entidades que representam autônomos, a União Nacional dos Caminhoneiros e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), não corroboram o acordo.

Eduardo Guardia, da Fazenda, afirmou que a União deverá repassar R$ 4,9 bilhões à Petrobras neste ano como compensação pela nova estratégia de reajuste. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que há indícios de locaute.

 

Sexta-feira, 25 de maio

NAS RUAS: Mesmo depois de Temer anunciar com otimismo o acordo, a greve de caminhoneiros chega ao 5º dia e causa reflexos pelo país; governo aciona forças federais para desbloquear estradas. Os caminhoneiros mantêm a estratégia de ficarem concentrados principalmente nos acostamentos.

A lista de aeroportos que ficaram sem combustível aumenta. A falta de combustível limita circulação de ambulâncias e cancela cirurgias em alguns estados. As universidades federais suspenderam aulas por causa da greve.

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA: Com tom diferente do adotado no dia anterior, o presidente da República criticou uma “minoria radical” e disse que acionou as Forças Federais de segurança para desbloquear as estradas.

A Polícia Federal apura se houve prática de crimes na greve. A Advocacia-geral da União (AGU) aciona o STF e o Supremo autoriza uso de força para desbloqueio de rodovias e impõe multa a quem descumprir decisão. No fim da tarde, o governo diz que 45% dos bloqueios em rodovias foram liberados e anuncia um decreto que autoriza o emprego das Forças Armadas.

 

Sábado, 26 de maio

NAS RUAS: Ao todo, 11 aeroportos do país estão sem combustível. Até as 11h30, estradas registravam 596 pontos de bloqueio, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Desde sexta, 544 pontos foram desbloqueados.

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA: O presidente Michel Temer e ministros se reuniram na manhã deste para um encontro do gabinete criado pelo governo federal para monitorar a greve dos caminhoneiros.

Após a reunião, o ministro Carlos Marun, da Secretaria do Governo, afirmou que a Polícia Federal já fez pedidos de prisão para empresários que, segundo a corporação, estão por trás de um locaute na paralisação de caminhoneiros.

Locaute (termo originado a partir da palavra em inglês lock out) é o que acontece quando os patrões de um determinado setor impedem os trabalhadores de exercer a atividade. A prática é proibida por lei.

Marun informou ainda que o governo começou a aplicar multas no valor de R$ 100 mil por hora parada para donos de transportadoras. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que a Polícia Federal instaurou 37 inquéritos em 25 estados para apurar prática de locaute durante a greve dos caminhoneiros.

 

Domingo, 27 de maio

NAS RUAS: Pelo sétimo dia consecutivo, a greve foi mantida. Em ao menos 11 estados (Alagoas, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo) e no Distrito Federal alguns postos foram reabastecidos. Ao menos 11 aeroportos estavam sem combustível.

Os problemas de abastecimento se agravam: a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) diz que 64 milhões de aves e pintinhos já morreram, 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos estão sem ração, 167 unidades de produção de carne estão com atividades suspensas e 234 mil trabalhadores estão com atividades interrompida.

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA: Temer anunciou a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias – depois disso, os ajustes serão a cada 30 dias. Ele também disse que vai editar uma medida provisória isentando de pagamento de pedágio os eixos suspensos de caminhões vazios. A medida, de acordo com ele, vale para rodovias federais e estaduais.

Representantes de caminhoneiros autônomos que se reuniram no Palácio do Planalto com Temer afirmaram que aprovam as medidas e que orientariam a categoria a encerrar a greve assim que elas fossem publicadas. Durante o pronunciamento, foram registrados panelaços no DF, Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Segunda-feira, 28 de maio

NAS RUAS: Mesmo após ter os pedidos atendidos, caminhoneiros seguiam em paralisação e líderes indicavam que pautas além da redução do diesel motivavam a continuação dos protestos. Intervenção militar e ‘Fora Temer’ estavam entre os pedidos. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e o Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros Autônomos, não tratavam a paralisação como encerrada.

Escoltas das forças de segurança continuaram a ocorrer garantir a movimentação de caminhões. O número de trechos de rodovias federais bloqueadas aumenta para 594, aponta Polícia Rodoviária Federal. A greve dos caminhoneiros paralisou as aulas parcial ou totalmente em dois terços das universidades federais. O varejo online ampliou as estimativas de prazo para entrega em até 11 dias.

Movimentações pontuais de outras categorias foram verificadas, como a de motoristas de ônibus fretados que protestaram em SP a favor dos caminhoneiros e contra o governo.

MOVIMENTAÇÃO POLÍTICA: O Senado aprovou um pedido de urgência para o projeto que elimina a cobrança de PIS-Cofins sobre o óleo diesel até o fim deste ano.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou uma chamada pública para contratar cooperativas de caminhoneiros autônomos. Essa é uma das medidas anunciadas pelo governo federal para atender as reivindicações dos caminhoneiros, que estão em greve há 8 dias.

A PF diz que já abriu 48 inquéritos para apurar suspeita de locaute. Desde o início da greve, Petrobras já perdeu R$ 126 bilhões em valor de mercado.

 

Quinta-feira, 31 de maio

No 11º dia da greve, caminhoneiros encerram protesto no Porto de Santos, a distribuição de alimentos melhora, os centros de abastecimento de alimentos estão recebendo mais produtos e preços estão voltando à normalidade. A distribuição de combustível também melhorou em muitos estados.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que, ao meio-dia, não havia mais aglomerações de caminhoneiros em rodovias federais. Mais cedo, eram nove os pontos de concentração. Na noite de quarta, eram 197 pontos.

 

 

Punição para postos

No final da tarde, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, divulgou as punições previstas para os postos que não repassarem aos consumidores a redução de R$ 0,46 no preço do litro do óleo diesel. A redução faz parte do acordo do governo com os caminhoneiros para tentar por fim à greve da categoria.

Segundo Padilha, o posto de combustível que a partir desta sexta (1º) comprar diesel com preço menor terá de repassar o desconto ao consumidor. As punições possíveis em caso de descumprimento são:

 

Multa de até R$ 9,4 milhões;

  • Suspensão temporária da atividade;
  • Cassação da licença do estabelecimento;
  • Interdição do estabelecimento comercial.

 

Combustível

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou que cerca de 70% do abastecimento de combustíveis do país voltou ao normal.

Em Pernambuco, após a desobstrução do Porto de Suape e a chegada de combustível em muitos postos do Grande Recife, as filas para abastecer começaram a diminuir.

No Distrito Federal, 32 caminhões-tanque carregados de álcool anidro, usado na mistura com a gasolina pura (tipo A), que foram abastecidos em Quirinópolis (GO) chegaram às distribuidoras de Brasília por volta de 1h30 de quinta. No final da tarde, o governo informou que a entrega de combustível aos postos foi normalizada. O carregamento será suficiente para garantir o abastecimento de toda a cidade durante, pelo menos, uma semana.

No Paraná, a cidade de Curitiba amanheceu sem filas de veículos para abastecer nos postos de combustíveis. Em São Paulo, as filas também estavam pequenas no início da manhã, mesmo com parte dos postos ainda fechados. No Rio de Janeiro, o reabastecimento total ainda deve demorar até cinco dias, mas a situação estava muito melhor nesta quinta: poucas filas foram registradas nos postos.

No Tocantins, em Rondônia e Roraima, o abastecimento de combustível também está normalizando aos poucos. No Rio Grande do Norte, o abastecimento deve ser normalizado até segunda-feira, segundo o Sindipostos.

Já em Minas Gerais, vários postos estavam com filas gigantes na manhã desta quinta em Belo Horizonte. Em Mato Grosso, a cidade de Cuiabá tinha postos ainda estão fechados por falta de combustível. Em Goiás, motoristas também sofreram para abastecer – 70% dos postos estão desabastecidos. As filas são quilométricas.

 

Alimentos

A Ceasa, em Irajá, principal central de abastecimento do Rio de Janeiro, ficou aberta desde as 4h30. Produtos cujos preços dispararam durante os dias de protesto começaram a voltar aos valores habituais. A caixa de banana, que chegou a custar R$ 100, estava sendo vendida a R$ 18. E 30 dúzias de ovos, que chegaram a custar R$ 180, eram vendidas por R$ 120.

A Ceagesp, que abastece São Paulo, também começou a receber alimentos do interior nesta quinta-feira. Até 9 de junho, os portões ficarão abertos 24 horas para carga e descarga de mercadorias.

 

O movimento estava sendo normalizado no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco, na Zona Oeste do Recife. Dentro do centro, caminhões fizeram filas para descarregar produtos. Nesta quinta-feira, seis caminhões de batata inglesa chegaram no local, e o preço, que chegou a custar R$ 10 o quilo, baixou para R$ 6.

Na Ceasa-DF, a movimentação de produtores, vendedores e clientes passou de uma queda de 70% na segunda (28) para 30% nesta quinta. A caixa de tomate, que chegou a custar R$ 150, caiu para R$ 60. A batata inglesa, que foi encontrada com preço 500% acima do usual – sacos de 20 kg eram vendidos a R$ 300 – está custando R$ 150. O preço médio é R$ 50.

Em Minas Gerais, a Ceasa foi aberta excepcionalmente para receber produtos. A comercialização não estava toda normalizada, mas havia banana, maçã, batata-doce, abacaxi, mamão havaí, tomate e cebola, por exemplo, para a venda.

No Rio Grande do Norte, ainda há escassez de produtos. No Maranhão, o desabastecimento chegou a 60% nesta quinta. No entanto, o movimento melhorou.

 

Gás

O primeiro carregamento de gás que chegou a Goiânia foi destinado aos hospitais; distribuidoras da capital colaram recados informando falta do produto para clientes.

Algumas distribuidoras da Região Metropolitana do Recife já possuem gás de cozinha para vender, mas ainda havia pontos em que não chegaram botijões nesta quinta. No Agreste e Sertão de Pernambuco, o gás deve chegar em até sete dias.

Na Paraíba, cerca de 20 mil botijões de gás chegaram nesta quinta-feira, segundo o sindicato. Desde as 7h, as distribuidoras do produto começaram a fazer o repasse para as revendedoras.

O DF amanheceu com os estoques de gás de cozinha reabastecidos. Sete carretas, trazendo 12 mil botijões de 13 quilos (modelo residencial), chegaram à capital no fim da tarde desta quarta (30).

 

Aeroportos

Segundo o Bom Dia Brasil, cinco dos aeroportos administrados pela Infraero ainda estão sem combustível: Palmas, Cuiabá, Imperatriz (MA), Juazeiro do Norte (CE) e Protásio de Oliveira (PA).

 

 

Quatro medidas foram anunciadas pelo governo federal no último domingo (27) para tentar por fim à greve dos caminhoneiros:

Desconto no diesel

O que é: o governo prometeu desconto de R$ 0,46 no litro do diesel por 2 meses.

Para chegar a esse montante, vai precisar: 1 – bancar com dinheiro público a manutenção do desconto de 10% no preço do diesel, que tinha sido anunciado pela Petrobras por 15 dias, diminuindo em R$ 0,30 o valor do litro; 2 – cortar tributos federais (Cide e PIS-Cofins) sobre o diesel, o que vai resultar na baixa de outros R$ 0,16 por litro.

Passados 2 meses, os reajustes no valor do combustível serão feitos a cada 30 dias, decisão que, segundo o presidente Michel Temer, visa dar mais “previsibilidade” aos motoristas.

De onde sairá o dinheiro: o governo diz que bancar parte do desconto no diesel vai custar R$ 9,5 bilhões aos cofres públicos até o fim do ano. Uma parte desse valor vai ser compensada por corte de despesas e por uma reserva do orçamento.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse na última segunda (28) que o governo também poderá aumentar outros tributos, Um dia depois, voltou atrás na afirmação.

A redução de impostos depende de aprovação no Congresso, e também deverá ser compensada.

Situação atual: o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que, a partir desta sexta (1º), o litro do diesel deverá estar R$ 0,46 mais barato na comparação com 21 de maio, quando começou a greve.

Na última segunda (28), Marun afirmou que contava com o “patriotismo” dos donos de postos para que a redução chegasse às bombas de combustível. A federação dos postos (Fecombustíveis) disse que vai repassar o desconto ao consumidor. Caberá ao Procon fiscalizar.

A Câmara e o Senado aprovaram o fim da cobrança do PIS-Cofins sobre o diesel e a compensação, que é o aumento de impostos na folha de pagamento de 28 setores da economia. O projeto seguiu para sanção de Temer.

 

Preço mínimo do frete

O que é: o governo vai determinar uma tabela de preços mínimos por quilômetro rodado no transporte rodoviário de cargas. Isso foi determinado em medida provisória também publicada no último domingo.

A tabela vai ser criada pela Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) e vai diferenciar os tipos de produtos, como cargas em geral, refrigeradas e perigosas. A composição desse valor mínimo do frete vai considerar a variação no preço do diesel e do pedágio.

Situação atual: a tabela foi divulgada pela ANTT nesta quarta-feira (30), e será válida até 20 de janeiro de 2019. Depois, será reajustada a cada 6 meses, com publicações em janeiro e julho.

 

Isenção de pedágio para eixos suspensos

O que é: caminhões vazios costumam rodar com ao menos um eixo levantado, para evitar desgaste dos pneus e também pagar menos pedágio, já que a cobrança é feita por eixo.

A lei federal de 2015, conhecida como “lei dos caminhoneiros”, definiu que esses veículos, quando vazios, não pagam pedágio sobre eixos suspensos ou elevados. Mas em algumas rodovias estaduais ainda existe cobrança.

Em medida provisória também publicada no último domingo, o governo federal acrescentou na lei que a isenção vale “em todo o território nacional”. A regra começou a vigorar no mesmo dia.

Situação atual: São Paulo determinou o fim da cobrança para eixo suspenso nas rodovias do estado a partir desta quinta (31).

O governo do Paraná adotou a medida na última segunda (28). A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) afirmou que as concessionárias do estado vão deixar de cobrar pelos eixos suspensos. O G1 tentou contato com as concessionárias, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

 

Fretes para autônomos

O que é: outra medida provisória publicada no último domingo diz que 30% dos fretes da Conab devem ser feitos por caminhoneiros autônomos.

A Conab é a Companhia Nacional de Abastecimento, uma empresa estatal vinculada ao Ministério da Agricultura e atua em programas sociais. Ela forma estoques públicos de milho para abastecer pequenos criadores com ração animal com preços semelhantes aos de atacado.

Situação atual: a empresa lançou uma chamada pública nesta segunda-feira (28) para contratar cooperativas de caminhoneiros autônomos, um primeiro passo para a medida começar a ser praticada.

Poderão disputar os contratos de frete cooperativas, sindicatos e associações de transportadores autônomos com no mínimo 3 anos de operação. Eles terão que se habilitar até o próximo dia 7 e terão de apresentar seguro e garantias para transportar a carga. O contrato prevê o transporte de 26 mil kg de milho em grãos.

 

Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou nesta sexta-feira (1º) que as exportações brasileiras caíram 36% nas duas últimas semanas de maio em razão da greve dos caminhoneiros.

 

 

Sexta-feira, 1 de junho

A paralisação da categoria começou em 21 de maio e, segundo a Polícia Rodoviária Federal, não há mais pontos de aglomeração de caminhoneiros nas rodovias.

De acordo com o MDIC, nas três primeiras semanas de maio, a média diária de exportações foi de US$ 1,06 bilhão (por dia útil).

A partir do dia 21, quando a paralisação começou, as exportações caíram para média diária de US$ 678 milhões (por dia útil).

Mesmo assim, a balança comercial de maio registrou superávit de US$ 5,9 bilhões em maio, segundo o ministério.

 

Setores afetados

De acordo com o diretor de Estatísticas e Apoio às Exportações da Secretaria de Comércio Exterior, Herlon Brandão, o setor mais afetado foi o de bens manufaturados. Nas últimas duas semanas, a exportação desses produtos caiu 46%.

Também foram afetadas as vendas ao exterior de bens semimanufaturados (queda de 37%) e de produtos básicos (31%).

“Esse efeito se dá de formas diferentes entre os setores. Por exemplo, o petróleo bruto é produzido em plataformas, escoado por navios, então é menos impactado. Minério de ferro tem escoamento por ferrovias”, explicou.

“Alguns produtos têm estoque nos portos, como é o caso da soja, então boa parte do escoamento da soja nesse período, foi garantido pelos estoques nesses portos. [O setor de] carnes também já tinha produto no porto a ser embarcado, que não dependeu de transporte ao porto nesse período”, detalhou Brandão.

 

 

Fontes:

https://www.globo.com

https://brasil.elpais.com

https://oglobo.globo.com

https://veja.abril.com.br

https://www.folha.uol.com.br

 

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